Fogão de indução gasta muita energia? Ele gasta energia elétrica, claro, mas a conta costuma ficar perto da do botijão. Com o botijão a R$ 114,61, média da ANP em outubro de 2026, a indução empata com o gás num kWh de R$ 0,92. Portanto, abaixo disso, ela sai mais barata.
A seguir, mostramos de onde vem esse número e como refazer a conta com os seus valores. Além disso, explicamos se o fogão de indução precisa de gás, como ele funciona e o que a conta do mês não mostra.
Resumo em 30 segundos
- O fogão de indução não usa gás: funciona só com energia elétrica.
- Além disso, para fazer o trabalho de 1 botijão de 13 kg, a indução gasta cerca de 124 kWh.
- Por isso, a regra é simples: preço do botijão ÷ 124 = tarifa de empate.
- Porém, a parte elétrica e as panelas novas custam à parte, e a economia demora a pagar isso.
Fogão de indução ou cooktop: é a mesma coisa?
Quase sempre, sim. No Brasil, muita gente chama de “fogão de indução” o cooktop, o tampo de vidro embutido na bancada. Também existem fogões de indução de verdade, porém em menor número. São os portáteis, de 1 ou 2 bocas, e alguns modelos de piso com forno elétrico.
Por isso, para a conta de energia, tanto faz o formato. Afinal, o que gasta é a zona de indução, e ela funciona do mesmo jeito nos 3 formatos.
Fogão de indução precisa de gás?
Não. O fogão de indução funciona só com energia elétrica, por isso não tem botijão, mangueira nem registro. Caso você veja bocas a gás e zonas de indução juntas, o modelo é um cooktop híbrido. Nele, só a parte a gás usa o botijão.
Ainda assim, a troca pede uma instalação elétrica própria, como explicamos mais abaixo. Então, sair do gás não significa só tirar o botijão e ligar o aparelho na tomada.
Como funciona o fogão de indução
Embaixo do vidro há uma bobina de cobre. Assim que você liga a zona, ela cria um campo magnético que aquece diretamente o fundo da panela. Ou seja, o calor nasce na panela, e não no vidro, que esquenta só pelo contato com ela.
Por isso, a panela precisa ter fundo magnético; um ímã que gruda no fundo indica que ela funciona. Caso ainda tenha dúvida, veja como saber se a panela é de indução.
Além disso, o calor não escapa pelas laterais, como acontece com a chama; assim, quase toda a energia vai para a comida. Segundo o ENERGY STAR, programa de eficiência dos Estados Unidos, a indução passa cerca de 85% da energia à panela.
Fogão de indução gasta muita energia? A conta com o botijão
A melhor forma de responder é comparar o mesmo trabalho: aquecer a comida. Então, vamos converter o botijão em kWh e ver quanto a indução precisaria para entregar a mesma energia à panela.
Quanta energia cabe num botijão
Segundo a ANP, cada quilo de GLP tem 11.100 kcal de poder calorífico. Assim, um botijão de 13 kg guarda cerca de 144 mil kcal, o que equivale a uns 168 kWh.
Quanto disso chega à panela
Nem toda essa energia esquenta a comida, porque parte do calor da chama se perde no ar. Por exemplo, na etiqueta do Inmetro, a mesa de um fogão classe A precisa ter rendimento de pelo menos 63%. Desse modo, um fogão classe A entrega cerca de 106 kWh à panela por botijão.
Em seguida, vem a indução: para entregar os mesmos 106 kWh com 85% de eficiência, ela precisa de uns 124 kWh. Esse é o número da regra: 1 botijão de 13 kg equivale a cerca de 124 kWh de indução.
A regra do empate
Divida o preço do seu botijão por 124. O resultado é a tarifa de empate. Se o seu kWh custa menos que isso, a indução sai mais barata; se custa mais, o gás ganha.
Assim, com a média nacional de R$ 114,61, o empate fica em R$ 0,92 por kWh. Por outro lado, o preço do botijão muda muito pelo país. No Rio de Janeiro, com o botijão a R$ 99,59, o empate cai para R$ 0,80. Em Boa Vista, a R$ 141,39, ele sobe para R$ 1,14.
Se o seu fogão a gás é antigo, a conta pende ainda mais para a indução. Com uma mesa classe E, de 52% de rendimento, o botijão equivale a uns 103 kWh de indução. Desse modo, o empate sobe para R$ 1,11 com a média nacional.
Vale um detalhe: usamos o rendimento do Inmetro, medido no padrão brasileiro. Enquanto isso, o ENERGY STAR estima o gás em cerca de 32% de eficiência, pelo método americano. Assim, a nossa conta é conservadora; ela dá ao gás a melhor chance possível.
Como fazer a conta com a sua conta de luz
A tarifa que vale é a que você paga de fato, com impostos. Por isso, a tabela da distribuidora engana. Na Enel de São Paulo, por exemplo, a tarifa residencial é de R$ 0,79 por kWh sem impostos. Porém, com os impostos, o valor final fica acima disso.
- Primeiro, pegue a conta de luz e anote quantos kWh você consumiu no mês.
- Em seguida, some o valor da energia com os impostos e a bandeira, sem a taxa de iluminação pública.
- Depois, divida esse valor pelos kWh: esse é o seu preço real do kWh.
- Por fim, compare com o preço do seu botijão dividido por 124.
Um exemplo de família
Imagine uma casa em que o botijão de R$ 114,61 dura 2 meses. Nesse caso, o gás custa R$ 57,30 por mês, e a indução gastaria cerca de 62 kWh no mesmo período.
Com o kWh a R$ 0,80, a indução custaria R$ 49,60 por mês, ou seja, R$ 7,70 a menos. Com o kWh a R$ 1,10, no entanto, ela custaria R$ 68,20, quase R$ 11 a mais que o gás.
O que a conta do mês não mostra
A instalação elétrica
O cooktop de indução de 4 bocas não vai em tomada comum. Ele pede um circuito exclusivo de 220 V, com fio e disjuntor próprios. Pela nossa estimativa, essa parte elétrica custa de R$ 1.000 a R$ 3.000, conforme a casa.
Então, faça a conta do retorno com o exemplo acima. Com R$ 7,70 de economia por mês, uma instalação de R$ 2.000 levaria mais de 20 anos para se pagar. Assim, se a economia é o único motivo, vale colocar esse gasto na balança.
As panelas
Panela de alumínio, vidro ou cerâmica pura não funciona na indução. Então, se a maior parte das suas panelas não tem fundo magnético, a troca entra no custo. Para escolher bem, veja também o nosso guia de panela para fogão de indução.
Energia solar e bandeira tarifária
Quem tem energia solar fotovoltaica vê outra conta. Afinal, a energia que a casa gera cobre parte do consumo, e a indução tende a sair bem mais barata. Por outro lado, nos meses de bandeira amarela ou vermelha, a tarifa sobe, e o empate fica mais difícil.
Quedas de energia
Porém, onde a luz cai com frequência, o fogão de indução para junto. Nesse caso, o gás continua sendo a opção mais segura para não ficar sem cozinhar.
E no apartamento?
Antes de trocar, confirme se o prédio aguenta a carga. Alguns prédios não comportam a indução pelo mesmo motivo que limitam o ar-condicionado. Ou seja, a fiação e a entrada de energia não foram feitas para essa carga.
Por isso, consulte o síndico e um eletricista antes de comprar. Além disso, peça ao eletricista o orçamento do circuito exclusivo; assim, você já sabe o custo real da troca.
Evite
- Comparar o gás com a tarifa da distribuidora sem impostos: ela parece mais barata do que é.
- Também evite ligar o cooktop em tomada comum ou extensão; ele precisa de circuito exclusivo.
- Além disso, não deixe as panelas novas fora da conta da troca.
- Por fim, não troque um fogão a gás bom só pela economia do mês, sem calcular o retorno.
Nossas indicações
Caso a conta feche a favor da indução, veja o nosso guia de melhor cooktop de indução 4 bocas. Nele, os modelos estão separados por faixa de preço. Se ainda estiver em dúvida, leia também fogão de indução vale a pena, que compara segurança e instalação.
Perguntas frequentes
Fogão de indução precisa de gás?
Não. Ele funciona só com energia elétrica. A exceção é o cooktop híbrido, que tem bocas a gás e zonas de indução. Nele, só as bocas a gás usam o botijão.
Quanto um fogão de indução gasta por mês?
Depende de quanto você cozinha. Por isso, uma forma prática de estimar é olhar o botijão. Se ele dura 2 meses na sua casa, a indução gastaria cerca de 62 kWh por mês.
Posso ligar o fogão de indução na tomada comum?
O cooktop de 4 bocas, não: ele precisa de um circuito exclusivo de 220 V, feito por um eletricista. Já os portáteis, de 1 ou 2 bocas, costumam ir na tomada; mesmo assim, confira a ficha antes.
Vale a pena trocar o gás pela indução só para economizar?
Na maioria das casas, não. Afinal, a economia do mês é pequena perto do custo da instalação e das panelas. Assim, a troca compensa mais quando você também quer a rapidez e a limpeza da indução, ou tem energia solar.
O fogão de indução gasta mais que o elétrico comum?
Não. O cooktop elétrico de resistência, como o vitrocerâmico, aquece o vidro primeiro e perde mais calor. Segundo o ENERGY STAR, ele fica entre 75% e 80% de eficiência, enquanto a indução chega a cerca de 85%.
Veredito
O fogão de indução não gasta muita energia: para fazer o mesmo trabalho, ele fica perto do custo do botijão. Então, a resposta para a sua casa está numa divisão simples: o preço do botijão por 124. Depois, basta comparar com o preço real do seu kWh.
Se a sua tarifa fica abaixo do empate, a indução economiza um pouco. Mas, se fica acima, o gás continua mais barato. Em resumo, a economia sozinha raramente paga a troca, porém, somada às outras vantagens da indução, ela ajuda a decidir.
Fontes consultadas
- ANP, Síntese semanal de preços nº 41/2026: preço médio do botijão de 13 kg em outubro de 2026.
- ANP, Fatores de conversão 2026: poder calorífico inferior do GLP.
- Inmetro, Programa Brasileiro de Etiquetagem: tabela de eficiência de fogões e fornos a gás.
- Enel São Paulo: tarifa residencial convencional válida a partir de 4 de julho de 2026.
- ENERGY STAR: eficiência da indução, do elétrico de resistência e do gás (referência americana).
- Wikipedia, Induction cooking (em inglês): funcionamento do aquecimento por indução.
Preços e tarifas consultados em outubro de 2026. Eles mudam com frequência; refaça a conta com os valores da sua cidade.



